Muse @ Campo Pequeno
Quem passou, no passado dia 26 de Outubro, pela Avenida da Republica por volta da hora do jantar, deparou-se com uma visão invulgar ao olhar para a Praça de Touros.
Diversas filas cresciam de minuto para minuto, davam voltas e voltas e chegavam à beira da estrada. O motivo? Bastante evidente...Não, não se tratava de uma corrida de touros para tão invulgar público, mas sim do concerto de uma das melhores bandas de rock alternativo da actualidade e, também, uma das mais aguardadas em solo português. Nesta quarta visita a Portugal (recordem-se que a última foi no festival Super Bock Super Rock 04'), os Muse viram o seu concerto esgotar num curto espaço de tempo.
Como pretexto desta visita surge a apresentação de "Black Holes and Revalations", o último registo do trio britânico. Contudo, todo o concerto não seria mais do que uma colectânea da banda pois foram tocadas, para além dos temas novos, alguns dos seus maiores êxitos.·
Os Muse entram em palco por volta das 22h. "Take a Bow", a primeira faixa de "Black Holes and Revalations", leva um grande recinto tornar-se pequeno para albergar tantos fãs euforicos. Segue-se "Hysteria", que remete aos tempos de "Absolution", "Map of the Problematique", "Butterflies and Hurricanes", "New Born" e "City of Delusion" que os fãs recebem num notável uníssono.
Matthew Bellamy é de poucas falas, mas não por isso menos carismático; o seu já habitual estilo arty, acompanhado da sua estridente guitarra (que este muito bem domina) e postura seria e concentrada, contrasta com o ar mais abstraido de Dominic Howard e Chris Wolstenholme.
O som psicadélico já muito característico desta banda, associado a algumas melodias mais suaves, ao eloquente piano de Bellamy e, também, aos seus conhecidos falsetes forma uma parceria ideal com o cenário existente. Este estava, então, muito bem estudado e coordenado ao mais ínfimo pormenor com alinhamento, possuindo um jogo de luzes que complementava graficamente todas as canções. Para além disso, existia ainda uma espécie de tela ampliadora onde eram projectadas imagens respeitantes às canções ou, simplesmente, os três músicos em palco.
"Plug in Baby", "Forced In", "Bliss", "Apocalypse Please", "Hoodoo" e "Ivencible", são recebidas pelo público com satisfação. Mas é com "Supermassive Black Hole" e, especialmente, "Starlight" que se instala o entusiasmo geral. Na primeira são lançados para a plateia balões gigantes que muito energicamente circulavam por toda esta parte do recinto até serem,depois,rebentados; a segunda, uma das mais aguardadas da noite, é acompanhada de muitas palmas a marcar o seu compasso e, ainda, cantada por completo em coro com Matthew. Os fãs são, logo a seguir, presenteados com "Time is Running Out" e "Stockholm Syndrome", fazendo destas quatro músicas o final perfeito para uma primeira parte.
Bellamy, Howard e Wolstenholme saiem do palco regressando breves minutos depois para um encore que uma inteira Praça de Touros desejava.
"Origin of Simetry" e "Showbiz" são relembrados com "Citizen Erased" e "Muscle Museum", respectivamente. Segue-se, depois de uma breve passagem instrumental de "I Want To Break Free" dos Queen, a última música da noite: "Knights of Cydonia", sendo esta um desfecho provável para muitos.
Os Muse abandonam o palco de vez envolto em nuvens de fumo, deixando para trás uma enorme vontade de regresso por parte dos fãs cuja satisfação era visível à saída.
O melhor:
- A aderência do público com as canções, especialmente para "Starlight" que foi um dos momentos mais altos de todo o concerto;
- O alinhamento que agradava a qualquer um;
- O cenário e a iluminação do espectáculo.
O pior:
- A pouca interacção com o público por parte dos músicos;
- A utilização de muitas samples ao longo de todo o concerto, que acaba por ser justificada com existência de apenas três músicos em palco apesar de, por vezes, se verificar a presença de um guitarrista auxiliar.

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